Após quatro mortes em Paramirim, segurança em açudes e aguadas exige atenção regional
Acidente na comunidade de Salina Branca expõe a necessidade de mapear reservatórios, controlar o acesso de crianças e ampliar a educação para prevenção de afogamentos
Acidente na comunidade de Salina Branca expõe a necessidade de mapear reservatórios, controlar o acesso de crianças e ampliar a educação para prevenção de afogamentos
A morte de quatro crianças da mesma família em um reservatório na comunidade de Salina Branca, zona rural de Paramirim, impõe à região uma discussão que precisa ir além da comoção: quais medidas podem impedir que açudes, barragens e aguadas continuem representando riscos silenciosos para crianças e adolescentes?
O acidente aconteceu na tarde de domingo, 30 de agosto. As vítimas, três irmãos e um primo, tinham 3, 6, 8 e 9 anos. Informações preliminares apontam que uma estrutura improvisada, descrita em parte das reportagens como um cocho usado como embarcação, deslocou-se para uma área mais profunda e afundou. Uma quinta criança conseguiu chegar à margem com vida.
Segundo informações atribuídas à 46ª Companhia Independente de Polícia Militar, a ocorrência foi comunicada por volta das 15h41. Polícia Militar, Samu e Corpo de Bombeiros foram mobilizados. Mergulhadores do 7º Batalhão de Bombeiros Militar recuperaram os corpos durante a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira.
As circunstâncias completas ainda estão sob apuração. Não foi esclarecido quem colocou a estrutura na água, quem era responsável pelo reservatório nem se havia sinalização, cercamento ou restrição de acesso. Também não há base, neste momento, para atribuir culpa ou responsabilidade individual.
A ausência dessas respostas não impede a adoção de medidas preventivas. Paramirim possui barragens em diferentes comunidades rurais, conforme registros da própria Prefeitura. Um levantamento municipal poderia identificar locais frequentados por crianças, condições de acesso, profundidade, existência de placas, barreiras e equipamentos de emergência.
O Ministério da Saúde recomenda supervisão contínua de crianças, uso de colete salva-vidas sempre que alguém estiver embarcado e restrição do acesso infantil a lagos e outras áreas com água. Em uma tentativa de socorro, a orientação é acionar os serviços de emergência, oferecer um objeto flutuante à vítima e aguardar profissionais, evitando que uma pessoa sem treinamento também se torne vítima.
Escolas rurais, associações comunitárias, agentes de saúde, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros podem participar de campanhas permanentes. As ações devem explicar que reservatórios conhecidos também escondem variações de profundidade, lama, buracos e obstáculos submersos, além de reforçar que recipientes improvisados não substituem embarcações adequadas e que coletes são indispensáveis durante a navegação.
Os quatro meninos foram sepultados em 31 de agosto, em uma despedida acompanhada por familiares e moradores. Preservar a dignidade da família significa evitar imagens de sofrimento e conclusões apressadas, mas também transformar o alerta deixado pelo acidente em prevenção concreta.
O primeiro passo é conhecer o risco: quantos açudes, aguadas e barragens são acessados por crianças em Paramirim e nos municípios vizinhos? A resposta pode orientar cercamento, sinalização, educação aquática e preparação das comunidades para emergências. Em caso de afogamento, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193 e o Samu pelo 192.

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