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Ultrapassagem pode ter provocado acidente com quatro mortos na BR-163; tragédia deixa alerta aos motoristas

Publicada em: 24/08/2026 11:53 -

Colisão envolvendo duas carretas e três veículos de passeio deixou ainda seis pessoas feridas em Bandeirantes (MS); circunstâncias são investigadas

Uma ultrapassagem dura poucos segundos, mas uma decisão errada durante a manobra pode produzir consequências irreversíveis.

Um grave acidente envolvendo duas carretas e três veículos de passeio deixou quatro pessoas mortas e outras seis feridas na BR-163, no município de Bandeirantes, em Mato Grosso do Sul.

De acordo com as informações preliminares divulgadas sobre a ocorrência, a sequência de colisões pode ter começado durante uma tentativa de ultrapassagem em um trecho onde a manobra seria proibida.

As circunstâncias exatas, entretanto, ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação. Por isso, não é possível atribuir definitivamente a causa da tragédia à ultrapassagem antes da conclusão da apuração.

O episódio, independentemente da causa que venha a ser oficialmente determinada, chama atenção para uma das manobras de maior risco realizadas diariamente nas rodovias brasileiras.

Ultrapassar não significa apenas acelerar

Para o motorista, pode parecer uma operação relativamente simples: verificar a pista, acelerar, passar pelo veículo da frente e retornar à faixa.

Na prática, uma ultrapassagem exige várias decisões corretas em um intervalo muito curto de tempo.

O condutor precisa calcular a própria velocidade, a velocidade do veículo que pretende ultrapassar, a distância disponível, a aproximação de veículos no sentido contrário e o espaço necessário para retornar à faixa.

Uma avaliação equivocada em qualquer uma dessas etapas pode colocar diversas pessoas em situação de risco.

E existe um agravante: em rodovias de pista simples, uma ultrapassagem mal calculada pode colocar dois veículos em trajetória frontal de colisão.

A sinalização precisa ser respeitada

O Código de Trânsito Brasileiro estabelece regras específicas para as ultrapassagens.

O condutor deve se certificar, antes de iniciar a manobra, de que dispõe de espaço suficiente, de que nenhum veículo que venha atrás já iniciou uma ultrapassagem e de que conseguirá retornar à faixa de origem sem colocar outros usuários da via em perigo.

Também existem locais onde a ultrapassagem é proibida devido ao risco elevado, como determinadas curvas, aclives sem visibilidade suficiente, pontes, viadutos, travessias de pedestres e trechos devidamente sinalizados.

A linha amarela contínua, por exemplo, não está na pista por acaso. Ela indica uma restrição relacionada às condições daquele trecho.

Ignorar essa sinalização significa assumir um risco que já foi previamente identificado na engenharia e regulamentação da via.

O perigo está justamente no que o motorista não consegue enxergar

Uma das principais armadilhas durante uma ultrapassagem é acreditar que existe espaço suficiente quando a visibilidade é limitada.

Uma curva pode esconder um veículo.

Um aclive pode impedir que o motorista enxergue quem está vindo no sentido contrário.

Uma carreta à frente pode bloquear grande parte do campo de visão.

E a velocidade de aproximação entre dois veículos pode ser muito maior do que a percepção inicial do condutor sugere.

Por isso, não enxergar um veículo vindo não significa necessariamente que não exista um veículo vindo.

Quando não há certeza, a decisão mais segura é permanecer na faixa.

Antes de ultrapassar, faça uma leitura completa do risco

Antes de iniciar a manobra, o motorista deve avaliar se a sinalização permite a ultrapassagem, se existe visibilidade suficiente e se há distância segura para concluir todo o procedimento.

Também é necessário observar os retrovisores, verificar se outro veículo já está realizando uma ultrapassagem, sinalizar previamente a intenção e considerar as características do veículo que está sendo conduzido.

Um automóvel carregado, por exemplo, pode responder de maneira diferente. Caminhões e veículos pesados também possuem características próprias de aceleração e distância.

Chuva, pista molhada, baixa visibilidade e condições ruins do pavimento aumentam ainda mais o risco.

Forçar quem está sendo ultrapassado também é perigoso

A responsabilidade não está apenas com quem executa a ultrapassagem.

Ao perceber que está sendo ultrapassado, o motorista também precisa adotar comportamento seguro.

Em uma rodovia de pista simples, aumentar a velocidade para impedir que outro veículo complete a manobra pode transformar uma situação já delicada em uma emergência.

O objetivo no trânsito não deve ser disputar espaço.

Deve ser permitir que todos concluam seus deslocamentos com segurança.

Alguns minutos não valem uma vida

Muitas ultrapassagens arriscadas nascem de uma sensação aparentemente inofensiva: a pressa.

O motorista encontra um veículo mais lento e começa a procurar qualquer oportunidade para passar.

Mas existe uma pergunta que deveria vir antes:

quanto tempo essa ultrapassagem realmente vai economizar?

Na maioria das viagens, aguardar alguns quilômetros até encontrar um local seguro representa uma diferença pequena no horário de chegada.

Uma colisão, por outro lado, pode mudar definitivamente a vida de várias famílias.

Uma decisão individual pode atingir quem não escolheu correr o risco

Talvez essa seja a maior reflexão deixada por acidentes dessa natureza.

Quando alguém realiza uma ultrapassagem perigosa, o risco não fica restrito ao próprio veículo.

Na direção contrária pode estar uma família.

Atrás pode estar um motociclista.

Ao lado pode estar um passageiro que não participou da decisão.

À frente pode estar um motorista que simplesmente seguia corretamente pela rodovia.

No trânsito, uma escolha individual pode produzir consequências coletivas.

É por isso que direção defensiva não significa apenas evitar os próprios erros. Significa também dirigir considerando que uma situação inesperada pode surgir a qualquer momento.

Na dúvida, não ultrapasse

Não existe ultrapassagem obrigatória.

Se a distância parece curta, espere.

Se a visibilidade não é completa, espere.

Se existe dúvida sobre a sinalização, não faça a manobra.

Se um veículo aparece no sentido contrário, recue enquanto ainda existe condição segura.

E se for necessário permanecer alguns minutos atrás de um veículo mais lento, permaneça.

Chegar alguns minutos depois ainda é chegar.

 

Uma ultrapassagem pode durar segundos. As consequências de uma decisão mal calculada podem permanecer por uma vida inteira.


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