Criminosos teriam usado a expectativa de transferência hospitalar para enviar um link fraudulento e acessar a conta onde estavam as doações
Uma família de Brumado que arrecadava dinheiro para ajudar no tratamento de Gilfredo Silva Santos, de 35 anos, afirma ter perdido todo o valor reunido em uma rifa solidária após cair em um golpe praticado por pessoas que se passaram por representantes do Ministério Público.
Segundo os familiares, os criminosos enviaram uma mensagem informando que a transferência hospitalar do paciente havia sido autorizada. O contato incluía um link que, depois de acessado, teria permitido o comprometimento da conta bancária usada para receber as doações.
O caso serve de alerta para outras famílias que estejam enfrentando situações semelhantes: órgãos públicos não exigem pagamento nem o acesso a links desconhecidos para autorizar transferências pelo sistema de regulação.
Golpistas exploraram momento de fragilidade
Gilfredo está internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Municipal Professor Magalhães Neto desde que sofreu um grave acidente de motocicleta, no dia 11 de julho.
De acordo com a família, ele sofreu traumatismo craniano, permanece em estado gravíssimo e precisa ser transferido para uma unidade com atendimento em neurocirurgia. Os parentes também relatam que o paciente apresentou complicações, incluindo embolia pulmonar.
Enquanto aguardavam uma vaga pela Central Estadual de Regulação, os familiares organizaram uma rifa para custear deslocamento, alimentação e permanência em outra cidade.
Foi nesse momento de preocupação e expectativa que receberam a mensagem fraudulenta.
Mensagem dizia que transferência havia sido autorizada
Conforme o relato da família, os criminosos se apresentaram como representantes do Ministério Público e afirmaram que a transferência já estava liberada.
A promessa de uma solução rápida fez com que um link encaminhado na mensagem fosse acessado. Logo depois, o dinheiro arrecadado teria sido retirado da conta.
“Perdemos o pouquinho que tínhamos conseguido. Assim que cliquei no link, levaram todo o dinheiro”, lamentou Marilene Plácido da Silva, mãe do paciente.
As circunstâncias da fraude ainda precisam ser formalmente investigadas pelas autoridades competentes.
Órgãos públicos não cobram para liberar vaga
Transferências realizadas por meio da regulação do Sistema Único de Saúde não dependem de pagamento, Pix, taxa de liberação ou acesso a páginas enviadas por desconhecidos.
Ministério Público, hospitais, secretarias de Saúde e centrais de regulação também não precisam da senha bancária, código de segurança, token ou confirmação pelo aplicativo do banco para autorizar uma vaga.
Mensagens que prometem agilizar atendimento em troca de dinheiro ou solicitam acesso urgente a um link devem ser tratadas como suspeitas.
A confirmação precisa ser feita diretamente com o hospital, a Secretaria de Saúde ou o órgão público envolvido, utilizando números obtidos em canais oficiais.
O que fazer ao receber uma mensagem desse tipo
Antes de clicar ou transferir qualquer valor, a família deve interromper o contato e verificar a informação por outro canal.
Também é importante observar alguns sinais:
- promessa de liberação imediata de vaga;
- pedido de pagamento ou taxa;
- pressão para agir rapidamente;
- link encurtado ou endereço eletrônico desconhecido;
- solicitação de senha, código recebido por SMS ou acesso ao aplicativo bancário;
- Pix destinado a pessoa ou empresa sem relação comprovada com o tratamento.
Nem o nome, a foto do perfil, o brasão de um órgão público ou o conhecimento de informações sobre o paciente comprovam que o contato seja verdadeiro. Criminosos podem copiar imagens e dados publicados em campanhas nas redes sociais.
Família deve procurar o banco imediatamente
Quando existe movimentação indevida, o banco deve ser comunicado o mais rápido possível pelos canais oficiais.
A família pode solicitar o bloqueio da conta, a troca das senhas e a contestação das transações. Nos casos envolvendo Pix, também pode pedir a análise pelo Mecanismo Especial de Devolução, destinado a situações com suspeita de fraude.
A recuperação do dinheiro não é automática, mas a rapidez na comunicação pode aumentar a possibilidade de bloqueio de valores ainda existentes nas contas envolvidas.
Também é necessário registrar um boletim de ocorrência e guardar mensagens, números de telefone, links, comprovantes, nomes apresentados pelos golpistas e registros das transações.
Apelo por transferência continua
Mesmo após o golpe, a principal preocupação da família permanece sendo o estado de saúde de Gilfredo.
Os parentes afirmam que já procuraram diferentes órgãos públicos e continuam aguardando uma vaga em uma unidade com suporte de neurocirurgia.
A definição da transferência depende da avaliação médica, da regulação e da disponibilidade de leito compatível com o quadro clínico do paciente.
A família pede agilidade na busca por atendimento especializado, apoio para enfrentar as despesas e orações pela recuperação de Gilfredo.
Solidariedade exige cuidado redobrado
Campanhas verdadeiras costumam divulgar dados bancários e informações do paciente para facilitar as doações. Infelizmente, os mesmos conteúdos podem ser usados por criminosos para abordar parentes, criar perfis falsos e simular contatos de autoridades.
Por isso, toda mensagem relacionada a vaga hospitalar, benefício, doação ou liberação de recursos precisa ser confirmada antes de qualquer ação.
A urgência de um tratamento não pode ser transformada em oportunidade para criminosos. Informação, cautela e verificação pelos canais oficiais são essenciais para proteger famílias que já enfrentam momentos de extrema fragilidade.
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