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Crise bancária no Paraguai: entenda o caso Ueno e seus efeitos na política

Intervenção deixou clientes sem acesso às contas e abriu investigação sobre empréstimos; oposição apresentou pedido de afastamento do presidente.

Crise bancária no Paraguai: entenda o caso Ueno e seus efeitos na política

A crise envolvendo o Ueno Bank, no Paraguai, deixou milhões de clientes sem acesso às contas e passou a atingir também a política do país. O Banco Central paraguaio anunciou a intervenção na terça-feira, 3 de novembro, depois de identificar que o banco não cumpria as exigências financeiras mínimas para continuar funcionando normalmente.

Se você viu notícias sobre uma crise bancária em todo o Paraguai, é importante separar as informações. O problema confirmado envolve o Ueno. Segundo o Banco Central, a situação identificada nessa instituição não representa uma condição generalizada dos demais bancos paraguaios.

Por que o banco sofreu intervenção?

O Banco Central informou que, após ajustes nas contas do Ueno, o capital exigido para enfrentar possíveis perdas ficou abaixo da metade do mínimo obrigatório. Em linguagem simples, a instituição não mantinha a proteção financeira exigida pelas regras do país.

A decisão de intervir foi tomada em 2 de novembro e divulgada no dia seguinte. O procedimento prevê medidas para administrar a situação do banco, proteger os depósitos e investigar possíveis responsabilidades. Isso não significa que todos os clientes receberão imediatamente seus saldos integrais.

O que está sendo investigado?

Na quarta-feira, 4 de novembro, o Ministério Público paraguaio apresentou acusações contra 27 pessoas ligadas ao Ueno e a empresas relacionadas. A investigação examina operações realizadas entre 2025 e 2026, incluindo empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco.

Segundo os investigadores, alguns empréstimos teriam valores elevados diante da capacidade de pagamento das empresas, prazos longos e garantias insuficientes. Também há suspeita de que parte do dinheiro tenha sido transferida para outras empresas do mesmo grupo, em vez de financiar as atividades informadas nos pedidos.

Essas são suspeitas apresentadas pela investigação. A existência de acusações não equivale a uma condenação, e as responsabilidades ainda precisam ser decididas pela Justiça.

Como o caso chegou à política?

Segundo a Reuters, 35 deputados apresentaram, na quarta-feira, um pedido de afastamento do presidente Santiago Peña. Eles apontam suspeitas de conflito de interesses e problemas relacionados à administração de recursos públicos.

Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025. Em manifestação pública, afirmou que os interesses dos depositantes deveriam ser prioridade e defendeu a responsabilização por irregularidades. O pedido apresentado pelos parlamentares não significa que o afastamento tenha sido aprovado.

E os outros bancos?

O Banco Central também divulgou, em 4 de novembro, que informações sobre supostas intervenções em outras instituições eram falsas. Em comunicado separado, atribuiu falhas temporárias em aplicativos bancários ao aumento incomum da procura pela abertura de contas.

Portanto, dificuldades em aplicativos e a intervenção no Ueno são acontecimentos que precisam ser diferenciados. Até as informações consultadas para esta matéria, os comunicados oficiais não confirmavam uma intervenção generalizada no sistema bancário paraguaio. O caso segue acompanhado por investigações e decisões sobre os depósitos dos clientes.

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