Embora seja muito raro, uma infecção causada por uma espinha manipulada pode evoluir para complicações graves. Dermatologistas orientam a não espremer as lesões.
Quem nunca sentiu vontade de espremer uma espinha ao se olhar no espelho? Apesar de parecer um hábito inofensivo, dermatologistas alertam que essa prática pode aumentar o risco de infecções, deixar cicatrizes permanentes e, em situações extremamente raras, contribuir para complicações graves.
A afirmação de que "espremer espinha pode matar" é frequentemente compartilhada nas redes sociais, mas ela precisa ser entendida com contexto.
Afinal, espremer uma espinha pode matar?
Na imensa maioria dos casos, não.
No entanto, especialistas explicam que uma espinha espremida pode servir como porta de entrada para bactérias, favorecendo infecções que, se não forem tratadas e evoluírem de forma grave, podem atingir tecidos profundos e até a corrente sanguínea.
Essas complicações são consideradas raras, mas existem relatos médicos de infecções graves originadas na face.
Por que não é recomendado espremer?
Quando a pessoa aperta uma espinha, ela provoca um trauma na pele.
Segundo dermatologistas, isso pode:
- aumentar a inflamação;
- levar bactérias das mãos para a lesão;
- favorecer infecções;
- retardar a cicatrização;
- provocar manchas;
- causar cicatrizes permanentes.
Além disso, nem todo o conteúdo da espinha sai para fora da pele. Parte do material inflamatório pode ser empurrada para camadas mais profundas, agravando o quadro.
O que é o "triângulo da morte"?
Você provavelmente já ouviu falar do chamado "triângulo da morte" do rosto.
Esse nome popular se refere à região que vai aproximadamente do topo do nariz até os cantos da boca.
Essa área possui uma drenagem venosa que se comunica com estruturas profundas da cabeça. Em casos muito raros, uma infecção grave nessa região pode alcançar o seio cavernoso, estrutura localizada na base do crânio, causando complicações potencialmente graves.
É importante destacar que isso não significa que qualquer espinha nessa região seja fatal. A complicação é incomum, mas ajuda a explicar por que médicos recomendam evitar manipular lesões no rosto.
Quais sinais merecem atenção?
Procure atendimento médico rapidamente caso, após espremer uma espinha, apareçam sintomas como:
- aumento rápido do inchaço;
- vermelhidão intensa;
- dor muito forte;
- saída abundante de pus;
- febre;
- dificuldade para abrir os olhos;
- alteração na visão;
- dor de cabeça intensa.
Esses sintomas podem indicar uma infecção que precisa de avaliação médica.
Espremer sempre deixa marcas?
Nem sempre, mas aumenta bastante esse risco.
Quanto maior a inflamação provocada pelo trauma, maiores são as chances de surgirem:
- manchas escuras (hiperpigmentação);
- cicatrizes permanentes;
- deformidades na pele em casos mais graves.
O que fazer quando aparece uma espinha?
A orientação da Sociedade Brasileira de Dermatologia e de dermatologistas é evitar manipular a lesão.
Algumas medidas podem ajudar:
- lavar o rosto com sabonete adequado para o seu tipo de pele;
- evitar tocar na espinha com frequência;
- utilizar produtos indicados por dermatologista;
- manter a pele limpa;
- procurar avaliação médica quando houver acne intensa ou recorrente.
Quando procurar um dermatologista?
É recomendado buscar atendimento quando:
- as espinhas são frequentes;
- existem lesões dolorosas e profundas;
- surgem muitos cistos ou nódulos;
- há formação de cicatrizes;
- tratamentos comuns não apresentam resultado.
O dermatologista poderá indicar medicamentos tópicos, via oral ou outros tratamentos conforme o grau da acne.
O risco existe, mas é raro
Dizer que "espremer uma espinha mata" simplifica demais uma situação que é muito mais complexa.
O correto é afirmar que espremer espinhas aumenta o risco de infecção. Em situações raras, especialmente quando a infecção evolui sem tratamento, podem ocorrer complicações graves.
Por isso, a recomendação dos especialistas continua sendo a mesma: evite espremer espinhas e procure orientação médica quando a acne for persistente ou intensa.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
- Biblioteca Virtual em Saúde – Ministério da Saúde
- Portal Drauzio Varella
