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Casos de picadas de escorpião aumentam no calor: saiba como proteger sua família

Publicada em: 21/07/2026 06:07 -

 

Crianças são mais vulneráveis aos casos graves; prevenção exige controle de lixo, vedação de frestas e atenção redobrada dentro de casa

O aumento das temperaturas e da umidade favorece a atividade dos escorpiões e eleva o risco de acidentes, principalmente em áreas urbanas. Esses animais encontram abrigo em entulhos, frestas, redes de esgoto, terrenos com lixo acumulado e locais onde há presença de baratas, sua principal fonte de alimento.

O Brasil registrou 225.695 acidentes com escorpiões em 2025, número correspondente a mais de 65% das ocorrências envolvendo animais peçonhentos no país. Embora a maioria dos casos tenha evolução leve, foram contabilizadas 265 mortes, com atenção especial às crianças menores de 10 anos, que apresentam maior risco de agravamento.

Escorpiões estão cada vez mais presentes nas cidades

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, os escorpiões não vivem apenas em matas ou áreas rurais.

Eles se adaptaram com facilidade ao ambiente urbano, especialmente onde encontram alimento, umidade e esconderijos. Bueiros, caixas de gordura, pilhas de madeira, telhas, tijolos, redes de esgoto, ralos e terrenos com resíduos oferecem condições favoráveis para sua permanência.

O crescimento desordenado das cidades, a deficiência no saneamento e o descarte inadequado de lixo também contribuem para a proliferação das baratas e, consequentemente, dos escorpiões.

Limpar a casa ajuda, mas não é suficiente

Manter o imóvel limpo é importante, porém a prevenção precisa alcançar os locais de entrada e abrigo dos animais.

As principais medidas incluem:

  • eliminar entulhos, folhas secas, madeira e materiais acumulados;
  • manter o lixo fechado e realizar o descarte corretamente;
  • vedar rachaduras, buracos e frestas em paredes e pisos;
  • instalar telas ou tampas em ralos;
  • colocar proteção na parte inferior das portas;
  • manter camas e berços afastados das paredes;
  • evitar que roupas de cama encostem no chão;
  • verificar roupas, toalhas e calçados antes de utilizá-los.

Quem realiza atividades de jardinagem, limpeza de terrenos ou movimentação de materiais deve usar calçados fechados e luvas resistentes.

Atenção aos sapatos, roupas e brinquedos

Os escorpiões possuem hábitos predominantemente noturnos e costumam permanecer escondidos durante o dia.

Calçados deixados no chão, roupas penduradas próximas às paredes, caixas, brinquedos e objetos armazenados por muito tempo podem se transformar em esconderijos.

Por isso, sapatos devem ser sacudidos antes de serem calçados. Roupas, lençóis e toalhas também precisam ser verificados, principalmente em residências onde já houve aparecimento desses animais.

Não use inseticida por conta própria

Aplicar inseticida comum não é considerado uma forma segura de combater escorpiões.

O produto pode irritar o animal e fazê-lo abandonar o esconderijo, aumentando a possibilidade de ele aparecer em áreas de circulação da casa.

A melhor estratégia é retirar as condições que favorecem sua presença, combater baratas, vedar os acessos e comunicar a Vigilância Ambiental ou o setor de controle de zoonoses do município quando houver aparecimento frequente.

Encontrou um escorpião? Não toque com as mãos

Nunca tente pegar o animal diretamente, mesmo que pareça morto.

O ferrão está localizado na extremidade da cauda e ainda pode causar acidentes durante uma tentativa de captura inadequada.

O local deve ser isolado para impedir a aproximação de crianças e animais domésticos. Quando houver condições seguras, a orientação deve ser solicitada ao serviço municipal responsável pelo controle de animais peçonhentos.

Tentar esmagar, manipular ou capturar o escorpião sem equipamento adequado aumenta o risco de picada.

O que fazer depois de uma picada

A pessoa deve procurar atendimento médico imediatamente, principalmente quando a vítima for criança, idoso ou apresentar sintomas além da dor no local.

Enquanto busca atendimento, a recomendação é lavar a área com água e sabão. Uma compressa morna pode ajudar no alívio da dor, desde que isso não atrase a ida ao serviço de saúde.

Não é necessário perder tempo procurando por conta própria uma unidade que tenha soro. A vítima deve ser levada ao serviço de saúde mais próximo, onde a equipe fará a avaliação, a classificação da gravidade e o encaminhamento quando necessário. O tratamento com soro é definido por profissionais de saúde conforme os sintomas apresentados.

Crianças precisam de atendimento ainda mais rápido

Nos adultos, muitos acidentes provocam principalmente dor intensa, vermelhidão e inchaço no local.

Nas crianças, porém, o quadro pode evoluir rapidamente. Náuseas, vômitos, suor excessivo, agitação, sonolência, dificuldade para respirar, alterações nos batimentos cardíacos e salivação intensa são sinais que exigem atendimento urgente.

Casos graves e mortes são proporcionalmente mais frequentes entre crianças menores de 10 anos, especialmente nos acidentes envolvendo o escorpião-amarelo.

Práticas caseiras podem agravar a situação

Depois da picada, não se deve:

  • cortar ou perfurar o local;
  • tentar sugar o veneno;
  • fazer torniquete ou amarrar o membro;
  • aplicar álcool, querosene, pasta de dente, folhas ou outras substâncias;
  • oferecer misturas ou receitas caseiras;
  • esperar os sintomas piorarem para buscar atendimento.

Essas práticas não neutralizam a peçonha, podem causar lesões e ainda atrasar o tratamento correto.

Combate depende de toda a comunidade

O controle dos escorpiões não depende apenas das famílias.

A limpeza urbana, a coleta regular de lixo, a manutenção das redes de esgoto, o cuidado com terrenos abandonados e o combate à infestação de baratas também são fundamentais.

Moradores devem evitar acumular materiais e comunicar aos órgãos responsáveis a existência de áreas com lixo, entulho ou aparecimento frequente dos animais.

O escorpião procura três condições básicas: abrigo, alimento e acesso. Quando esses elementos são reduzidos, o risco de infestação também diminui.

A prevenção precisa acontecer antes da picada. Manter a atenção dentro de casa, proteger crianças e buscar atendimento imediato em caso de acidente pode evitar consequências graves.

 
 
 
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