Criminosos usam dados reais, documentos falsos e pressão psicológica para convencer vítimas a fazer transferências e pagamentos indevidos
Mensagens prometendo liberação de dinheiro na Justiça têm sido usadas por criminosos para aplicar o chamado golpe do falso advogado, fraude que vem crescendo em várias regiões do país. O alerta foi reforçado pelo Sistema CrediSIS, que orienta a população sobre os principais sinais desse tipo de abordagem e como evitar prejuízos financeiros.
Segundo a instituição, os golpistas costumam entrar em contato por telefone ou aplicativos de mensagens informando sobre valores supostamente disponíveis para saque, como indenizações, revisões de contratos ou precatórios. Para tornar a fraude mais convincente, utilizam dados reais das vítimas e até informações verdadeiras sobre processos judiciais.
Como funciona o golpe do falso advogado
A fraude geralmente começa após criminosos terem acesso a informações públicas ou vazamentos de dados. Com nome completo, número do processo e até o nome do advogado da causa, os golpistas conseguem criar uma conversa aparentemente legítima.
Durante o contato, eles afirmam que existe um valor liberado pela Justiça, mas dizem que é necessário pagar taxas antecipadas para receber o dinheiro.
As cobranças costumam ser apresentadas como:
- custas processuais;
- taxas de transferência;
- despesas cartorárias;
- liberações bancárias.
Outro detalhe que chama atenção é o senso de urgência criado pelos criminosos. Em muitos casos, a vítima é pressionada a realizar transferências rápidas via PIX ou depósito bancário.
Documentos falsos deixam golpe ainda mais perigoso
De acordo com o Sistema CrediSIS, os golpistas também utilizam documentos falsificados para aumentar a credibilidade da fraude.
Os materiais enviados imitam comunicados oficiais e podem conter:
- logotipos de tribunais;
- assinaturas falsas;
- supostas decisões judiciais;
- comprovantes adulterados.
O diretor de Riscos e Supervisão da instituição, Guilherme Alves de Souza, explica que o uso de informações reais faz muitas pessoas acreditarem na abordagem.
Segundo ele, advogados não solicitam pagamentos antecipados por aplicativos de mensagens para liberar valores de processos.
Dados pessoais também podem ser usados em novas fraudes
Além do prejuízo financeiro imediato, vítimas desse tipo de golpe podem acabar tendo dados utilizados em outras tentativas criminosas.
Informações bancárias, documentos pessoais e comprovantes enviados durante o contato podem alimentar novos golpes e dificultar a identificação dos responsáveis.
A advogada e analista jurídica da CrediSIS, Ana Michelato, afirma que atitudes simples ajudam a reduzir os riscos.
Entre as orientações estão:
- consultar diretamente o andamento do processo no site do tribunal;
- confirmar informações com o advogado pelos canais oficiais;
- verificar se o profissional possui registro ativo na OAB;
- desconfiar de mensagens inesperadas envolvendo dinheiro.
Plataforma da OAB pode ajudar na verificação
Uma das ferramentas indicadas para confirmar a identidade de advogados é a plataforma ConfirmADV, da OAB Nacional.
O sistema permite consultar se o profissional possui inscrição ativa utilizando dados como número de registro e estado de inscrição.
A recomendação é que qualquer contato inesperado envolvendo valores judiciais seja verificado antes de qualquer transferência financeira.
O que fazer em caso de suspeita
Caso exista suspeita ou confirmação do golpe, a orientação é registrar boletim de ocorrência imediatamente e comunicar a instituição financeira responsável pela conta utilizada na transação.
Guardar mensagens, comprovantes e documentos recebidos também pode ajudar nas investigações.
O gerente de Segurança da Informação do Sistema CrediSIS, Anderson Galvão Ribeiro, destacou que a informação continua sendo uma das principais formas de prevenção.
Segundo ele, conteúdos educativos e exemplos práticos ajudam a população a reconhecer sinais de fraude antes que o prejuízo aconteça.
Com o aumento dos golpes digitais no país, especialistas reforçam que cautela, verificação de informações e atenção redobrada em movimentações financeiras são medidas essenciais para evitar cair em armadilhas cada vez mais sofisticadas.