Hoje, 21 de março, é o Dia Mundial da Síndrome de Down, uma data reconhecida pela ONU desde 2012. Mas por que essa data? A escolha do "dia 21 do mês 3" faz referência direta à alteração genética que causa a síndrome: em vez de dois cromossomos no par 21, existem três.

Essa condição genética afeta milhares de pessoas ao redor do mundo, e é fundamental discutir os desafios enfrentados por essa população, além dos avanços na saúde e na legislação que garantem seus direitos.


O impacto da Medicina na qualidade de vida


A Medicina tem avançado muito no entendimento da Síndrome de Down, permitindo um acompanhamento mais eficiente e melhorando a qualidade de vida dessas pessoas. A professora Maria Teresinha Cardoso, especialista em Pediatria e Genética na Universidade Católica de Brasília, explica que hoje já é possível prever alguns riscos futuros, como a propensão ao Alzheimer.

"Existem marcadores biológicos que nos ajudam a identificar se um paciente tem mais chance de desenvolver doenças como a demência precoce. Esses biomarcadores podem ser monitorados com exames de sangue, permitindo um diagnóstico e tratamento antecipado. Isso faz toda a diferença na qualidade de vida", destaca a especialista.

Além disso, o acompanhamento médico multiprofissional é essencial desde a infância, garantindo suporte adequado para o desenvolvimento motor, cognitivo e social da criança.


O papel da legislação na inclusão


No campo jurídico, houve muitos avanços nos direitos das pessoas com Síndrome de Down, mas ainda existem desafios estruturais. A advogada Laura Brito, especialista em Direito de Família e das Sucessões, explica que o maior obstáculo é a própria sociedade.

"O Estatuto da Pessoa com Deficiência deixa claro que não é a deficiência em si que impede a inclusão, mas sim as barreiras criadas pela sociedade. Um dos maiores desafios é a barreira atitudinal, ou seja, a forma como as pessoas enxergam e tratam aqueles que têm alguma deficiência. Temos uma legislação moderna e avançada, mas a mudança de mentalidade ainda precisa acontecer", afirma a advogada.

Outro ponto importante é a questão da curatela. Muitas famílias ainda acreditam que devem manter a "guarda" de um filho com Síndrome de Down na vida adulta. No entanto, a guarda é um conceito válido apenas para menores de idade. Para adultos com deficiência intelectual, o caminho jurídico correto é a curatela ou a declaração de dependência econômica.




A inclusão ainda é um desafio


Apesar dos avanços na medicina e na legislação, a inclusão plena ainda é um desafio. O preconceito e a falta de acessibilidade seguem sendo grandes barreiras. Por isso, o Dia Mundial da Síndrome de Down não é apenas uma data comemorativa, mas um momento de reflexão e conscientização sobre a importância de respeitar e garantir os direitos dessas pessoas.

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